A história do setor da engenharia e construção no Brasil passou por várias intempéries. Desde que me formei em 1990 em engenharia mecânica até o momento, pude viver juntamente com o país algumas delas: a estagnação da década de 80, as crises econômicas, processo inflacionário, as crises políticas e a falta de investimento em tecnologias. Em 2022 e pensando no porvir, à medida que alcançamos um crescimento mais expressivo do PIB, volta à tona, a grave questão da mão de obra qualificada.

Conversando com amigos, proprietários e CEOs de empresas de engenharia, todos são unânimes em dizer que estão com dificuldades de encontrar engenheiros no mercado de trabalho.

Milhares de alunos se formam em engenharia todos os anos. Dentre estes, observo uma fatia considerável que nem chega a trabalhar no setor, já que se formam buscando transição de carreira para o Setor Público ou para a área de programação, voltando seus esforços para trabalharem nas Big Techs, “a coqueluche do momento”.

Dentre os que decidem trabalhar na área de engenharia, chegam nas empresas profissionais totalmente “crus”. Até mesmo os que se formaram em universidades de renome nacional.

Quando fui chamado pela primeira vez, há mais de 20 anos, a fazer uma palestra para os alunos de engenharia da Faculdade de Tecnologia (FT) da Universidade de Brasília (UnB), me lembro de utilizar uma expressão que de certa forma causou curiosidade: “Os engenheiros precisam engenheirar”. Expliquei que a expressão engenheirar estava sendo usada no sentido de buscar soluções de engenharia. Quebrar a cabeça para encontrar respostas para as demandas propostas. Encontrar saídas criativas que levem a resultados economicamente viáveis.

Em nossa experiência de contratar jovens recém-formados, temos observado que a grande maioria não foi preparada para “engenheirar”. Existe uma discrepância significativa entre a experiência acadêmica e as demandas do mercado. Sobre o ensinamento teórico e aplicação da prática.

Esse é um problema complexo de agravamento exponencial que afeta o presente e o futuro do setor. E por ser um problema complexo, a solução não é trivial e precisa envolver todos os atores, principalmente, as Universidade, empresas e profissionais.

Às Universidades, é preciso incentivar práticas e parcerias que abracem as transformações tecnológicas, que aproximem seus alunos do mercado, que invistam em experiências que preparatórias para a realidade. Seja por estágios obrigatórios, por apoio às empresas juniores, seja por investimento em pesquisa de novos métodos construtivos, etc. O ensino atualizado é indispensável. Não só por parte dos cursos em si, mas dos professores que ministram as matérias. Para se formar engenheiros é preciso professores que tenham passado por experiência em obras e projetos, isto é, que tenham “engenheirado”.

Às empresas, é exigido um trabalho colaborativo de aperfeiçoamento organizacional e cultural a fim de incentivar seus colaboradores a se atualizarem com as diretrizes do futuro. A Indústria 4.0 já chegou, os processos têm de ser otimizados e flexíveis; o foco em novas práticas de gestão, aumento de produtividade e capacitação de novas lideranças são cruciais para o sucesso da organização. Além disso, as empresas têm de pautar em suas estratégias ações voltadas para a preservação do meio ambiente, para responsabilidade com a sociedade e para transparência empresarial, ou seja, práticas ESG - Environmental, Social and Governance (Ambiental, Social e Governança).

Aos engenheiros que já são experientes, cabe adotar uma postura de “compartilhadores do conhecimento”, passando para os que estão chegando a capacidade de desenvolver um olhar crítico sobre os projetos, enxergar as mais variadas soluções e conscientizá-los da responsabilidade de ser engenheiro, onde pequeno erro de cálculo pode comprometer um edifício inteiro. É fundamental saber trabalhar em equipe, é imprescindível ocupar o papel de solucionador de problemas.

Nós da Fox Engenharia, tentando mitigar essa deficiência na formação dos engenheiros, temos desenvolvido principalmente ao longo da última década, um vasto programa de estágio onde jovens ficam, em média, dois anos conosco tendo contato com situações reais, supervisionados por profissionais experientes, sendo estimulados a desenvolver seu potencial e acima de tudo se apaixonar pela engenharia.

Engº Paulo Cesar de R. Pereira

Presidente da Fox Engenharia.

Esse texto foi originalmente publicado na revista O Empreiteiro em dezembro de 2022.

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