Em seu “Pedido de desculpas e manifesto por um Brasil melhor” decorrente das ações da Operação Lava Jato, a própria Andrade Gutierrez propõe pontos que vão de encontro à utilização do BIM na elaboração dos serviços de engenharia de forma a aprimorar os mecanismos de controle, criando uma nova relação entre o poder público e as empresas nacionais. Dentre eles, temos:

“Obrigatoriedade de projeto executivo de engenharia antes da licitação do projeto, permitindo a elaboração de orçamentos realistas e evitando-se assim previsões inexequíveis que causem má qualidade na execução, atrasos, rescisões ou a combinação de todos estes fatores;”


“Aferição dos serviços executados e de sua qualidade, realizados por empresa especializada, evitando-se a subjetividade e interpretações tendenciosas;

Portanto, dois pontos principais do projeto desenvolvido através da tecnologia BIM demonstram seu benefício em projetos de Obras Públicas (e que foram claramente observados durante o desenvolvimento dos trabalhos do COPE). São eles o levantamento dos quantitativos para o orçamento da obra e a compatibilização das disciplinas.

Um dos problemas administrativos comuns nos contratos públicos de engenharia são os aditivos ocasionados por erros no quantitativo da planilha orçamentária, desenvolvida juntamente com o projeto, e que só são identificados no decorrer da obra. Além dos possíveis danos causados à lisura do processo e o descompasso entre as despesas previstas e realizadas, ainda há a geração de um custo intangível com o gasto de horas de profissionais, de ambos os lados, para justificar e verificar a veracidade dos pleitos.

O BIM possibilita a automatização do processo de quantificação dos elementos da obra, reduzindo consideravelmente seus erros. Esta discrepância entre o orçado e o realizado pode reduzir a cerca de 5%, quando em projetos desenvolvidos convencionalmente chegam a 25%.

Outra grande dor de cabeça e motivo também para aditivos das obras, são as incompatibilidades identificadas no decorrer das obras entre as diversas disciplinas do projeto. Neste caso do COPE, no qual mais de 30 disciplinas estavam envolvidas no projeto, a chance de interferências entre tais especificidades era um fator extremamente preocupante, que poderia inclusive inviabilizar as soluções originalmente projetadas.

Através do desenvolvimento do modelo 3D e utilizando o cronograma dos serviços, a tecnologia BIM é capaz de gerar um comparativo físico e temporal entre a previsão projetual e o realizado. Com isso, existe a possibilidade de se reorganizar as atividades de forma dinâmica, produzindo um resultado ágil e visual de uma nova configuração para a realização do empreendimento. Toda construção do COPE Principal utilizou estes conceitos, que foram de extrema importância devido aos vários processos de aquisição que ocorreram em paralelo com a obra como, por exemplo, grupos geradores, equipamentos de ar condicionado, UPS, mobiliários, moving de equipamentos ativos, etc.

Contudo, apesar da precisão e automação do processo produtivo do projeto, existe a necessidade de conhecimento das ferramentas e metodologia de trabalho.

Portanto, todas estas vantagens tem um custo que pode não ser considerado pelo órgão público no processo de contratação do escritório projetista. Equipamentos de informática mais potentes e mão de obra com experiência no novo processo produtivo, além de maior conhecimento técnico, exigem um investimento maior para o perfeito desenvolvimento do projeto. Esta falta de critério na seleção dos projetistas e em sua devida remuneração pode acarretar no atraso da implantação e maturação do BIM para as obras públicas, inclusive com grande risco de insucesso.

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